project #StatuaUrbana_PatrimoniumCultura
O catálogo é uma ferramenta semântica em desenvolvimento. Consideramos que os materiais estatuários são classificados de acordo com os seus significados. A variável significado pode assumir o valor "país", "tema" e "tipo". No primeiro caso, "país", permite-nos navegar pela coleção em toda a área geográfica de um determinado país, para todos os casos temáticos e composicionais. Agora, o objetivo será melhorar e refinar os resultados por "país", "tema" e "tipo". O ajuste fino do processo de pesquisa permitir-nos-á rastrear os significados dentro de uma determinada área territorial. A possibilidade de análise estatística também está em aberto. Mas há muito a fazer: escolher cada imagem, renomear, redimensionar e recortar uma de cada conjunto para o formato específico de cada IDE, algumas correções de luz, exposição, etc., investigação iconográfica e tópicos iconológicos, tudo isto leva um tempo considerável. Na prática, cerca de 80% do tempo é gasto nestas tarefas e 20% na programação do website.
Estes 50 novos registos foram efetuados em agosto de 2024 como resultado de uma viagem pelas três penínsulas do sul da Europa Ocidental com o propósito de registar objectos de estatuária urbana nesses territórios.
Notas de viagem
Albania, O Grande Parque de Tirana.
Uma das obras mais interessantes do realismo socialista que já fotografei é esta composição de duas figuras, aludindo à guerra revolucionária. Localizada no Parque Nacional de Tirana, é da autoria do escultor albanês Hektor Dule e intitulada "Nos Caminhos da Guerra" (em albanês: Në Udhët e Luftës). Como composição escultural, este grupo de estátuas exibe uma bela teatralidade, com a cena a mudar consoante o ângulo de visão. Os volumes são tratados com mestria como saliências e reentrâncias com texturas muito soltas que acentuam os tecidos e o cabelo das personagens, bem como os adereços da cena — a espingarda, os cartuchos e o recipiente com o líquido refrescante que a aldeã oferece ao guerrilheiro! O simbolismo acentuado que começa pelo contraste entre os pés descalços da aldeã e os sapatos do guerrilheiro, as suas poses e a forma como o líquido é oferecido para beber é considerado por artistas como Raino Isto, que vêem este gesto como uma clara representação de erotismo. Esta obra foi exibida pela primeira vez na exposição nacional dedicada ao trigésimo aniversário da libertação nacional. Mais tarde, foi colocada no Grande Parque de Tirana, perto das fontes e dos equipamentos recentemente adicionados, onde mantém-se até hoje. Hektor Dule, escultor albanês, nascido a 3 de janeiro de 1939, estudou no Liceu de Arte Jordan Misja em Tirana e continuou a sua formação como escultor na Escola Superior Industrial de Praga. O escultor deu um valioso contributo à arte albanesa, sendo um mestre da escultura figurativa realista, produzindo obras excepcionais e colaborando ocasionalmente com Perikli Çuli.





As estátuas urbanas, uma produção contemporânea significativa nos territórios europeus, têm as suas raízes facilmente notadas no mundo romano antigo, neste caso na representação de um senador contemporâneo de Octávio César Augusto (63 a.C.–14 d.C.). Esta estátua-retrato em tamanho superior ao natural, feita de mármore pentélico (o corpo) e mármore insular (a cabeça), retrata Marco Nónio Balbo com traje militar. Esta estátua urbana está localizada no Parque Arqueológico de Herculano (Parco Archeologico di Ercolano), na cidade de Herculano, na região de Nápoles. Este parque arqueológico corresponde à antiga cidade que, juntamente com Pompeia, foi soterrada sob camadas de cinzas e pedra-pomes pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. . Marco Nonio Balbo foi uma figura senatorial que viveu em Herculano e foi tribuno da plebe leal a Octávio em 32 a.C., ocupou o cargo de pretor e, finalmente, procônsul da província de Creta e Cirene por volta de 20 a.C. Por ter restaurado a Basílica, os portões e as fortificações, foi nomeado padroeiro da cidade, e pelo menos dez estátuas foram erguidas em sua honra, de acordo com a documentação conhecida até à data, colocadas nos locais mais representativos da cidade. Apenas uma parte sobreviveu: a série de estátuas honorificas começa com duas estátuas equestres erigidas em sua honra pelos Nucerianos e pelos Ercolaneses (Nápoles MANN inv. 6211, 6104). Catálogo geral de Beni Culturali
https://catalogo.beniculturali.it/detail/ArchaeologicalProperty/1500924947




Imagem 1: A família Cap de Llúpia, no posto de turismo de Vic. Fotos do autor.

Imagem 2: Montagem de duas vistas da representação estatuária do cabeçudo Merma. Foto do autor.
Esta estátua de Cap de Llúpia com a expressão "Mori el Merma" ["Morte ao Merma"] nas inscrições, em homenagem a Miquel Comerma, é da autoria do escultor Cinto Casanovas. Foi inaugurada em 1987, 155 anos após a chegada desta figura de cabeçudo a Vic. O escultor Cinto Casanovas Corderroure nasceu em Santpedor em 1933 e é um escultor jesuíta e catalão, reitor da paróquia do Sagrado Coração em Raimat. Apresentando obras entre o figurativo e o abstrato na sua produção, esta está entre as mais interessantes porque a excelente qualidade da modelação está em consonância com a importância da personagem.
A velha foi o segundo cabeçudo a entrar em cena na Festa Maior de Vic. Esta personagem foi criada em 1864. «Em 1864 um novo cabeçudo foi adicionado ao Cap de Llúpia, foi a Llupiesa ou Vella, também conhecida como Maria Rosa.»1 Trata-se de um cabeçudo de mulher que representa uma mulher muito feia e enrugada, com o rosto também cheio de verrugas, que representa a esposa de Merma. Foi na comemoração dos 150 anos de existência desta personagem, em 2014 que foi inaugurado um monumento estatuário em sua homenagem, tal como tinham feito com o Merma em 1987. O escultor Manel Casserras i Solé foi o autor da estátua da Velha. Manel Casserras i Solé (Solsona, 22 de julho de 1957 - 30 de abril de 2015) foi um escultor catalão, proeminente construtor de imagens festivas na Catalunha.

Imagem 3: Montagem de duas vistas da representação escultórica do cabeçudo a Velha. Fotos do autor.
Manel Casserras i Solé. Aprendeu o ofício com o seu pai, Manel Casserras i Boix, e continuou com a sua oficina em Solsona após a morte do pai em 1996. Como escultor, Manel Casserras trabalhou sobretudo no restauro de monumentos e na criação e restauro de imagens festivas. Assim, restaurou o portal barroco da Catedral de Solsona e o conjunto escultórico da Assunção na Praça Palau, entre muitas outras obras. Destacou-se ainda pelo restauro de peças históricas e emblemáticas, como o Dragão de Solsona (séc. XVII), os Gegants del Pi de Barcelona, os Anões de Patum em Berga e os da comitiva de Tarragona. Foi galardoado com o Prémio Gigante Louco como escultor de imagens festivas em 2011, quatro anos antes de falecer muito jovem, pouco antes de completar 58 anos!
Representação estatuária do cabeçudo El Nen (o Menino) da autoria da escultora Anna Viñas Mata, inaugurada em 2018. "Segundo a tradição, o Menino veio juntar-se à família dos Llúpies (borbulhantes) para ajudar Merma a abrir caminho durante as procissões dos gigantes. É por isso que ele empunha firmemente os famosos xurriaques (chicotes), tal como Merma, como já observámos. Assim, enquanto La Vella segura um leque na mão direita, as duas figuras masculinas cabeçudas têm, cada uma, o seu próprio xurriaque. Desempenharão a mesma função – abrir caminho aos Gigantes. E fazem-no com o som produzido pelos golpes deste tipo de chicote, mesmo que não atinjam nada. De acordo com o Boletim Cultural Bonart, a estátua de El Nen foi fundida em bronze na Fundição Artística Riudellots (Riudellots de la Selva). Entretanto, esta empresa de fundição em bronze, ferro e alumínio estava em processo de liquidação em 2018 e, portanto, pode já não existir ou pode existir sob outro nome.

Imagem 4: Montagem de duas vistas da representação escultórica do cxabeçudo El Nen (o Menino). Fotos do autor.
Mantendo a mesma proporção entre a cabeça, o corpo e os membros que as duas estátuas antecessoras, El Merma e La Vella, esta estátua urbana, tal como elas, é também mais pequena que o tamanho natural. Por isso, poderia ser classificada como uma estatueta urbana. A estatueta urbana tem alguma ocorrência em alguns países e regiões europeias: Alemanha, Suécia, Holanda e Espanha, na Catalunha, concretamente em Vic, e um grupo interessante em Tarragona. A inauguração desta estátua do cabeçudo El Nen ocorreu no dia 25 de junho de 2018, uma segunda-feira, pelas 18h00, junto à Carrer Soledat, onde se encontrava o antigo posto de abastecimento de combustível La Pista. Este acontecimento teve grande impacto nos media, que também se refletiu no ciberespaço. Um grande número de publicações locais e regionais cobriram o assunto.

Imagem 5: Foto: Josep M. Montaner, in Gerard Castañé, El Nen de Vic ja té sculpture, «NacióDigital»
Nesta imagem, temos o momento exato em que o cabeçudo El Nen revela a sua própria estátua, retirando o pano vermelho que cobria a mesma. Entre as duas figuras de El Nen está a escultora Anna Viñas. La Vella e El Merma também estiveram presentes. A inauguração desta obra já está a acontecer na era das plataformas digitais e das redes sociais. Assim, a sua divulgação foi feita no Facebook pela Câmara Municipal de Vic.
Para ler o artigo completo, incluindo bibliografia, sobre as estátuas da família de bonecos cabeçudos da cidade de Vic, consulte a gazeta #StatuaUrbana_PatrimoniumCultura, edição nº 3 em: http://hdl.handle.net/10174/35845
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Situado na região de Sintra, o Monumento do Trabalhador Rural da autoria do escultor Pedro Anjos Teixeira foi modelado em 1957 e erigido em 1983. Este conjunto escultórico em bronze, em S. João das Lampas, corresponde à primeira fase do escultor, posterior à obra As mulheres de Leiria e anterior a O Pastor peregrino, possivelmente antecedendo este em cerca de três anos. Este originalíssimo monumento apontando o caminho do Neo-Realismo na estatuária urbana portuguesa antecedeu e terá contribuído para que em Portugal se tenha vindo a desenvolver até ao presente o gosto pela representação de figuras alusivas ao trabalho.
Imagem 1:Monumento ao trabalhador rural, Foto do autor
Imagem 2:Monumento ao trabalhador rural, Foto do autor
Imagem 3:Monumento ao trabalhador rural, Foto do autor
Diversas esculturas no país, de escultores mais jovens, por exemplo o Monumento ao Salineiro de Francisco Simões, em Alcochete, a Homenagem ao tanoeiro, de António Nobre, em Esmoriz ou a Estátua ao Cavador, de Romeu Costa, na freguesia do Samouco, encontram parentesco com a modelação e o campo temático deste Monumento do Trabalhador Rural. Só a partir dos anos setenta, se começa a projectar a colocação deste original monumento. Ainda no princípio dos anos setenta, a ele se referia José Gutierrez, no jornal O Século «a Câmara Municipal de Sintra projecta, agora, fazer transpor para o bronze um trabalho daquele escultor. Trata-se, nem mais nem menos, de um grupo escultórico de sete figuras, cuja maqueta faz parte das obras que o artista doou ao povo de Sintra, em troca do “atelier”, a receber agora, os últimos retoques». José Gutierrez que seguiu de perto a actividade do escultor neste período, concedendo atenção à sua obra através do jornal O Século, desenvolve ainda neste texto, a forma como Anjos Teixeira obtém o seu atelier em troca da sua actividade escultórica, atitude inédita no espaço português. A composição de ritmos curvilíneos, com acentuada impressão de movimento torna este Monumento do Trabalhador Rural numa lição compositiva com modelação plena de acidentes que lhe conferem uma vibração tímbrica e “impressionista”, na linha de grandes escultores franceses como Rodin ou Bourdelle do ponto de vista formal e compositivo e na mesma linha temática de escultores seus contemporâneos do realismo socialista, como o alemão Fritz Cremer.
Esta obra escultórica da autoria do escultor Kees Verkade, com o título Fotograaf [IDE:457 no catálogo] pode ser observada no jardim Parklaan em Haarlem, Países Baixos. Com dimensões próximas de metade do natural, poderemos considerar esta representação como “estatueta urbana”. Aqui, a imagem do fotógrafo comemora uma associação relacionada com a fotografia como podemos notar nas respectivas inscrições: «19 MEI 1995 50 JAAR UNITED PHOTOS DE BOER». A «United Photos de Boer» é uma agência de imprensa estabelecida em Haarlem na qual os fotógrafos Toussaint Kluiters e Paul Vreeker iniciam um novo período, rompendo com as orientações anteriores e apontando para um foto-estúdio vocacionado para o jornalismo, publicidade e fotografia de estúdio. Esta agência tem sido grande fornecedora do jornal de Haarlem mas trabalha agora também com a Reuters e a ANP.

Imagem 4:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor

Imagem 5:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor

Imagem 6:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor
Vê-se que são fotografias noturnas. Não foi intencional, mas aconteceu que já tinha anoitecido quando nos deparámos com esta imagem. A maneira de operar que utilizamos no levantamento de obras poder-se-ia considerar como um naturalismo radical. Uma espécie de “é como é no momento em que se passa no local”. Nem sempre resulta, mas neste caso até resultou bem, pelas pequenas dimensões da figura e pela técnica do modelado, com fartas massas, que resultam bem à luz do “flash”. A modelação bem expressiva e timbrada num estilo próximo de Karnster ( a manteigueira) do escultor Jits Bakker em Leeuwarden na Frísia neerlandesa resulta bem em condições de iluminação que para outras obras são adversas. Também durante o dia nem sempre a melhor ou a principal vista da obra tem a luz a seu favor, por vezes essa vista está em contra-luz. Quando se fazem levantamentos em extensão, não nos podemos dar ao luxo de esperar horas pelas condições ideais para registar cada obra, isso sairia caríssimo, pois aumentaria consideravelmente o número de dias de cada expedição de levantamento. Assim sendo já fotografei obras de estatuária urbana debaixo de todas as condições atmosféricas, frio, vento, chuva, neve, calor intenso, etc.

Imagem 7:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor

Imagem 8:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor

Imagem 9:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor

Imagem 10:Estatueta de fotógrafo, Harlem, Foto do autor
Mesmo de noite, as inscrições no pedestal e as marcas no bronze da assinatura do escultor ficaram com elevada legibilidade.
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Notas de viagem

O Rapto das Sabinas, foto do autor.

O Rapto das Sabinas integrado no plano geral, foto do autor.

O Rapto das Sabinas, plano aproximado, foto do autor.

Fontana del Nettuno, foto do autor.
Seguem-se algumas vistas da Fonte de Nettuno que tive a possibilidade de registar.





Vista parcial da Galeria Uffizi, foto do autor.

Lorenzo il Magnifico, foto do autor.

Niccola Pisano, foto do autor.

Leon Battista Alberti,foto do autor.

Dante Alighieri, foto do autor.

O arco central do eixo Verona, que incorpora uma estátua representando Cosimo I, ladeada por duas esculturas alegóricas representando o Rigor e a Equidade, foto do autor.

Representação cartográfica deste trecho da rota.
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Vista gral da Fontana del Porcellino., foto do autor.
Esta era uma obra que eu queria ver há muito tempo para me certificar se o javali que fotografara vinte anos atrás, em 2004, na estação de serviço de Weibersbrunn, na Alemanha, um bronze da autoria do escultor A. Boucher, era uma cópia ou uma modelação original. Isto porque alguém que consultou a minha tese de doutoramento por volta de 2010, onde apresento o javali alemão, colocou a possibilidade de este ser uma cópia do Porcellino de Florença.

Representação escultórica de um javali, Weibersbrunn, Alemanha. foto do autor.

Representação escultórica de um javali, Weibersbrunn, Alemanha. foto do autor.

Detalhe do relevo da base do Porcellino. foto do autor.
A Fontana del Porcellino, em português "fonte do porquinho", que na realidade representa um javali, é uma obra de cerca de 1634, do escultor barroco Pietro Tacca (1577-1640). A escultura original encontra-se desde 2008 no Museo Stefano Bardini (Palazzo Mozzi) e esta cópia de bronze que fotografei está na Piazza del Mercato Nuovo.
A razão do focinho estar tão polido é a mesma de um conjunto representando quatro animais, uns sobre os outros, com o título Bremer Stadtmusikanten, em Bremen, na Alemanha, uma obra de 1951 do escultor Gerhard Marcks: a multidão de turistas faz-se fotografar uns aos outros fricionando uma zona do animal para dar sorte. Assim como em Florença esfregam o focinhoo do Porcellino, em Bremen esfregam além do focinho do burro, também as suas patas dianteiras. Tem que se esfregar as duas patas para não se ser burro!
No Porcellino, além de esfregarem o focinho, colocam uma moeda na boca do animal; se a moeda cair através da grade onde corre a água, o desejo realizar-se-á e trará boa sorte. Geralmente a moeda cai aí, pois a grade está alinhada com a boca!

Vista quase frontal da Fontana del Porcellino., foto do autor.